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Uma questão de tempo

waldo fazzio junior em 11.Dez.2016 · Atos de corrupção

Quando você pensa que já leu, estudou, compreendeu e escreveu tudo sobre a corrupção no poder público, é surpreendido, no curso de poucos anos, por uma sequência espantosa de relações incestuosas entre o interesse privado e o interesse público. O sinistro conúbio de pessoas físicas e jurídicas do universo particular com políticos invade todos os segmentos nacionais e chega a produzir leis medidas provisórias e outros atalhos normativos. Os escolhidos para representar a sociedade transformam-se em agentes representativos de interesses patrimoniais de empresas e empresários.
A substituição finalística do interesse público pelas egoísticas metas particulares, regiamente recompensada via caixa 2 e outros expedientes fraudulentos, faz do desvio de poder a regra nos parlamentos e compartimentos executivos.
O escuso ingressa no lugar do relevante, o aparente engana o real, a retórica disfarça o acordo, o gabinete esconde o conventilho – o que deve ser, agora, é o que jamais poderia ser. Há um outro universo reservado a poucos privilegiados guindados aos seus sinistros parlatórios pela inocência do voto.
Não é incrível. É até histórico, mas nunca em números tão expressivos e reiterações tão despudoradas que não respeitam prioridades, honra e dever. Perfazem o irreal que derrota o real.
No plano de uma simulada política que faria corar Aristóteles e outros sonhadores, a corrupção desenfreada iguala esquerda e direita, ambas desvairadas, corroídas e ocultas por trás de véus falsamente ideológicos. O plano das transações e transigências evolui muito distante de qualquer raiz popular. É sistêmico e aspira à perenidade.
Ao povo só resta assistir, sofrer e esperar pelo inesperado que, certamente, não advirá de novas oportunidades eleitorais. Sobre seus ombros gastos pelo trabalho diuturno repousa uma insistente esperança na concretização da justiça que coloca cada um no seu devido e merecido lugar.
Por caminhos usuais ou soluções inortodoxas, pouco importa, o justo pode demorar, mas chega, apesar das tecnicalidades obstrutivas.

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