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Diagnósticos e terapias.

waldo fazzio junior em 26.Jul.2016 · Direito e Sociedade

Não importa se hoje é sábado ou, quem sabe, domingo. Um passeio pelos noticiários, até mesmo pelas redes sociais, surpreende tanto os mais otimistas como os pessimistas. Afinal, nos dias que correm e nas noites que não terminam sem novidades, o percurso envolve, invariavelmente, terrorismo, delitos violentos e as costumeiras descobertas pouco ortodoxas no universo do combate à corrupção.

Se é esse o mapa geral do cotidiano, nós brasileiros somos gratos pela distância das atrocidades terroristas. Contudo, não é fácil conviver diuturnamente com a rica variedade de atos de corrupção que se alojam em quase todos os segmentos da vida nacional: no comércio, seja como estado de necessidade de empresas moribundas, seja como volúpia de empresários mal-acostumados com a recessão; no esporte, com as questões não resolvidas sobre as negociatas na inesquecível copa dos 7 a 1 e os escândalos patrocinados pelos que coordenam times e seleções pouco selecionadas; na saúde pública, onde o que mais falta é saúde, fraudes com próteses, reaproveitamento indevido de material cirúrgico, irresistível ausência de leitos e amontoados de pacientes que antes ocupavam corredores de hospitais, mas agora, já esperam nas ruas, mesmo. O comércio foi despojado de saúde e a saúde foi contemplada com comércio.

Não há como esconder a grande cratera em que se aprofunda a educação, desde os chamados bancos escolares até os recantos universitários, sítio onde todo mundo protesta por regalias injustas que deixaram de desfrutar e passam para trás técnicas, ciências e comportamentos que poderiam muito bem ter assimilado. Na última década, o segmento educacional brasileiro enveredou pelos becos da ineficiência, em que tudo de nada é importante, enquanto as polpudas verbas de que carece foram investidas numa pretensa cultura de alguns artistas escolhidos a dedo, como se cultura e educação fossem adversárias inconciliáveis.

É até cansativo o rotineiro mau hábito de destacar as hemorroidas políticas que emergiram nos plenários, cúmplices engravatadas de gigantescos impérios empresariais nacionais e governos internacionais pouco habituados com os interesses de seus cidadãos. Todos os dias, nos últimos anos, renovam-se os elencos de corruptos de toda ordem, sem qualquer temor de punição, candidatos permanentes às delações premiadas, substituindo grossas remessas de numerário para o exterior por vergonhosas tornozeleiras que os aprisionam em seus respectivos e regalados lares.

O país começa a cultivar a tolerância com homicídios, estupros, sequestros e outros títulos do Código Penal, mesmo porque se submissos às punições estariam ocupando, nos presídios, os sagrados cubículos que encarceram ladrões de galinha, batedores de carteira e litigantes de botecos. As prisões estão repletas, as penas são rigorosas demais para serem impostas, os direitos humanos dos delinquentes com recursos pendentes ficam preservados, em homenagem aos direitos humanos das vítimas sacrificadas, vivas ou não.

O país conseguiu a olímpica façanha de galgar as primeiras posições no ranking mundial da ignorância, da miséria, da criminalidade e, sem qualquer dúvida, da corrupção que tenta se reproduzir de geração em geração, com inegável destaque para a última década.

Possivelmente, não seguramente, estamos passando por uma desratização em todos os setores e ainda resta uma esperança para as próximas gerações e para os ainda não contaminados pelo vírus das vantagens em tudo.

Estamos mudando? Começaremos o nosso sonhado mundo novo? Não duvido. Entretanto, também não duvido de que muitíssimo precisará ser feito ou refeito para que, sem a falsa pureza dos demagogos, a justiça venha a prevalecer, sem feriados, recessos ou solenidades, simples, limpa e pura como um poema de Walt Whitman.

O juridicamente correto terá, forçosamente, que superar o politicamente incorreto, o economicamente injusto e o socialmente deplorável.

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